Plano Municipal da Cultura

2016

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Biblioteca Municipal José Cardoso Pires

Apresentação

Biblioteca
A Biblioteca Municipal José Cardoso Pires surge no seguimento da celebração de um contrato-programa entre o IPLB (substituído pela DGLB) e a Câmara Municipal de Vila de Rei.

Inaugurada em 26 de Outubro de 2008, por sua excelência o Sr. Presidente da República Portuguesa, Professor Aníbal Cavaco Silva, é uma instituição multifacetada, pretendendo dar cumprimento aos objectivos do Manifesto da Unesco para as Bibliotecas Públicas, nomeadamente: a disponibilização de novos suporte, o empréstimo domiciliário e o acesso a novas tecnologias de informação, implementando e prosseguindo uma política de abertura à sociedade e democratização da cultura. Além disso, é também um repositório da memória histórica do concelho de Vila de Rei, em particular, e da Beira Baixa em geral, tendo à sua guarda uma diversidade de documentação que deu entrada nas suas instalações quer por via das incorporações legais a que está sujeita, quer por aquisição, depósito ou oferta de conjuntos documentais de particulares.

O edifício dispõe de duas salas de leitura, um pequeno auditório com capacidade para cerca de 60 lugares sentados, uma área de exposições temporárias e a Sala José Cardoso Pires, que contém todo o espólio doado pela família do escritor ao Município de Vila de Rei (biblioteca pessoal, prémios e também todas as edições das obras do escritor natural deste concelho).

Na sala de leitura de adultos encontra-se ainda o Centro de Estudos Padre João Maia, S.J. de onde constam muitos dos títulos assinados pelo sacerdote jesuíta natural do Monte Novo (localidade na freguesia de Fundada, concelho de Vila de Rei), bem como outras obras gentilmente cedidas pela Companhia de Jesus, relativas não só à sua própria história, mas também à de Portugal, incluindo outras monografias de interesse cívico e cultural.

Este equipamento cultural, fazendo parte da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas, pretende oferecer um serviço de leitura pública a toda a população, independentemente da sua idade, profissão, nível educativo ou socioeconómico ou local onde resida, bem como cumprir as missões da Biblioteca Pública (Manifesto da UNESCO sobre Bibliotecas Públicas).

O programa “Rede Nacional de Bibliotecas Públicas” teve como prática inicial uma orientação pela ideia de que é necessário “diminuir as barreiras e as distâncias existentes entre grandes e pequenos centros” (…) pois alguém num pequeno centro “poderá ter as mesmas exigências, gostos e contingências que uma pessoa num grande centro urbano”. Por outro lado, o facto de aceitarmos a existência de um utilizador universal – sem estereótipos ou paradigmas – promove a valorização e aceitação da diversidade dos povos na senda dos valores sociais e democráticos de um estado de direito.

Para além da promoção das condições de igualdade no acesso à informação, às ideias e aos produtos da criação humana geral, um espaço cultural como a Biblioteca Municipal José Cardoso Pires no concelho de Vila de Rei, comporta um impacto social de um serviço ao nível educacional. Comporta igualmente um impacto na leitura e literacia pela disponibilização gratuita de informação em diferentes formas e suportes. Por outro lado ainda, a médio prazo, assumirá um papel educacional e económico para o concelho na medida em que potencia o conhecimento sendo essa uma arma para o progresso económico.

Na senda e apanágio de um estado democrático, fomenta-se a formação para a promoção de uma sociedade civil com maior intervenção.

Com uma média superior a seiscentos utilizadores por mês, a BM. JCP tem desenvolvido actividades lúdicas e educativas na senda da pretensão de contribuir para uma política de criação de novos públicos leitores e de combate à iliteracia, infoexclusão e aos baixos índices de conhecimento e leitura.

Horário

De 2ª a 6ª feira 10:00 - 18:30
Sábado 15:00 - 18:00
Domingos e feriados Encerrado

José Cardoso Pires

Biografia

n. 02/10/1925, S. João do Peso, Vila de Rei, Castelo Branco
m. 26/10/1998, Lisboa

Muda-se para Lisboa ainda em criança. Conclui o curso secundário no Liceu Camões e frequenta Matemáticas Superiores na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (1943-1945).

Romancista, Dramaturgo, Contista, Jornalista, Cronista e Ensaísta é justamente designado como um dos vultos maiores e mais destacados da ficção portuguesa da segunda metade do século XX.

A sua atitude ética face ao regime corporativista é notória desde a sua primeira obra, objecto de censura – “Caminheiros e outros Contos” (1949); bem assim, é de sublinhar a preocupação com a dessalinação, com a crítica à retórica passadista e ao método real.

Sem rupturas ideológicas drásticas, supera os quadros de referência literária do Neo-Realismo, em paralelo com o talento para a renovação dos procedimentos técnicos da narrativa não só no que ao género diz respeito mas também pela original incorporação de linguagens e práticas analíticas variadas como a publicidade, cinema, televisão e fotografia, fruto das suas experiências pessoais e profissionais.

Para a compreensão da evolução narrativa contemporânea impõe-se José Cardoso Pires como incontornável pelo seu posicionamento estético. O seu interesse pela sétima arte leva-o à composição de personagens na narrativa, fílmica entendendo um Romance com algo que é uma montagem. “ O Delfim” e a vários níveis exemplo disso mesmo, sendo uma narrativa que diversas vezes se cruza compondo uma montagem.Com esta obra / Romance de 1968, José Cardoso Pires apresenta-nos uma técnica narrativa nova. O facto de compor o real em fragmentos implica um propósito de homologar a ficção com o real numa supressão do neo-realismo muito subordinado a uma lógica causal.

A sua narrativa rege-se por uma sobriedade de processos com recusa da retórica e do empolamento estilístico, na linha de Steinbeck ou Hemingway.
Ainda que a sua estreia como escritor se verifique em contexto neo-realista rapidamente se distância evidenciando um contista marcado pela short-story anglo saxónico e interessado pelo quotidiano do pós-guerra. Afirmou-se igualmente no “Conto” como cultor exímio. Por outro lado, a produção narrativa de José Cardoso Pires emerge com o Romance. Pretende então elaborar uma «história de proveito e exemplos».

Subjacente também em toda a sua escrita está tópicos como mentalidades, valores, comportamentos, retrato ideológico e politico das várias classes sociais que a sua ficção analisa.

José Cardoso Pires foi por certo um dos melhores prosadores narrativos da literatura pós-moderna e contemporânea. Assimilou de um modo inicialmente exagerado, a arte da short story americana, e reagiu de forma clara contra certos sentimentalismos ainda inerente ao neo-realismo português tradicional.

A Obra de José Cardoso Pires

De entre diversas ocupações, trabalha como correspondente de inglês, agente de vendas e intérprete. Aproxima-se do Jornalismo em 1949 pela Revista “Eva”. Nos anos 60 assina artigos para: “Almanaque”, “Gazeta Musical e de todas as Artes”, suplemento “A Mosca” do Diário de Lisboa, publicação periódica de que foi director-adjunto depois do 25 de Abril.
Ainda em 1949 publica a sua primeira obra “Os Caminheiros e outros Contos” a qual acaba por ser retirada de circulação pela Censura.
Prossegue a sua produção literária com “Histórias de Amor” (Contos, Lisboa, 1952) “O Render dos Heróis” (teatro) e “Cartilha do Marialva” (ensaio) – Lisboa, 1960. “Jogos de Azar” e “O Hóspede de Job” – Prémio Camilo Castelo Branco, da S. P. dos Escritores em 1963.
1968 escreve “O Delfim”, romance a que se segue “Dinossauro Excelentíssimo”, uma fábula cruelmente satírica de Salazar provocando grande polémica dentro da Assembleia Nacional.
“E agora, José? “ (1977) traz à luz textos entre a crónica e o ensaio; Retorna ao Conto com “O Burro em pé” (1979).
“Corpo delito na Sala de Espelhos”, 1980, esmiúça o funcionamento da Polícia política do Estado Novo (PIDE). Em 1982, publica o romance “Balada da Praia dos Cães” – Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores inspirado no assassínio do Capitão Almeida Santos, em 1960.
Seguem-se narrativas dificilmente catalogáveis em géneros: Alexandra Alpha (1987), A República dos Corvos (1988) e A Cavalo no Diabo (1994) encontram-se em linhas intermédias entre crónica, o conto e a evocação de lembranças.
Escreve ainda um admirável relatório de auto-análise, na sequência de um AVC (De Profundis, Valsa Lenta) e de um livro sobre Lisboa (Lisboa – Livro de Bordo) editado em 1999.
O Fundamento na escrita de José Cardoso Pires
No plano dos conteúdos é de sublinhar a sistemática de reflexão sobre Portugal e os Portugueses.
Este é o grande tópico que percorre toda a sua obra encontrando momentos particularmente privilegiados em “Hóspede de Job”, “O Delfim”, “A Balada da Praia dos Cães” e “Alexandra Alpha”.

Padre João Maia

Biografia

n. Fundada/Vila de Rei, 1923
m. Lisboa, 1999

Ingressou em 1940 na Companhia de Jesus, tendo-se licenciado em Filosofia pela Faculdade Pontifícia de Braga. É doutor pela Faculdade de Burgos (Espanha).
Poeta e crítico, mas também cronista e ficcionista, tem colaborado regularmente na revista Brotéria, de que é um dos principais redactores, e em outras publicações, nomeadamente a revista Colóquio e o jornal Renovador, da Sertã. Mantém além disso, na Rádio Renascença, um programa semanal de crítica literária. A sua poesia, pouco aberta a inovações formais e geralmente apoiada na rima, mereceu todavia de Jorge de Sena os epítetos de “suave e inteligente, meditativa e singela”.

Natural de Monte Novo, freguesia da Fundada.
Nasceu no seio de uma família profundamente cristã, em que eram cinco filhos e os pais dedicavam-se à agricultura. A quarta classe foi feita na Fundada.
Ia para o Abrunheiro a pé com quatro quilos de livros às costas “na altura não era comum os ricos mandarem os filhos para a escola, porque precisavam deles para trabalhar”. Os pais na altura foram criticados por mandarem um filho para tão longe.
Seguiu para a Companhia de Jesus, em Guimarães, por influência do Pe Aparício.
Esteve em Maceira de Câmara alguns anos, Guimarães e depois Espanha.

Recordações da família
Depois de ser ordenado veio celebrar a primeira missa à Fundada. A sua mãe não pôde assistir porque tinha sido operada a uma apendicite e estava internada no hospital de Abrantes. Depois da missa ele foi vê-la. Chegou a casa e “chorava, só chorava” porque o médico lhe disse que a mãe não teria mais de um mês de vida.

Foi durante trinta anos diabético e levava insulina diariamente. Morreu cego. No dia em que fazia anos (ou véspera) – em Lisboa, 14 Junho de 1999 e foi sepultado no cemitério da Fundada.

Pediu para que não lhe colocassem laje em cima, pois dizia que “para carregar o peso da vida já tinha carregado bem a parte dele”.
Os seus dotes de conversador eram inumeráveis e inesgotáveis.

O Pe João Maia exerceu um magistério cultural e espiritual de enorme irradiação e alcance. Era um conhecedor exímio da literatura e da cultura greco-latinas. Obras como a Eneida, a Ilídia, a Odisseia ou os Diálogos de Platão foram-lhe em permanência livros de cabeceira, manuseando-os na língua original. Era também um grande conhecedor de línguas e literaturas modernas – caso das castelhanas, inglesas e francesas, dominando com mestria a língua materna e suas origens, tanto na sua vertente popular como erudita.

O Pe João Maia foi colaborador mensal, durante cerca de cinquenta anos, na Revista Brotéria (valiosa no campo da Teologia, Filosofia, Literatura e História, com destaque para a história da Companhia de Jesus), especialmente no campo da crítica literária, mas também noutros: sociologia, psicologia, filosofia e teologia.
Antes do 25 de Abril escrevia e apresentava o programa quinzenal “Crítica Literária” na antiga Emissora nacional, além das mais de três décadas de crónica semanal “Textos e Pretextos”, na Rádio Renascença.
Na Fundação Calouste Gulbenkian trabalhou intensamente, realizando fichas de leitura que podem ser apreciadas pela qualidade e fiabilidade literária atribuídas e que podem ser consultadas no site da instituição.
Foi também um colaborador assíduo da Enciclopédia Verbo.
Como professor, consagrou-se um grande mestre de língua e literatura latina e grega nos Jesuítas (Guimarães e Soutelo) e em Lisboa, onde leccionou no Seminário dos Olivais, onde granjeou a estima e admiração dos alunos e colegas, sendo frequentemente também convidado para conferências, palestras e retiros espirituais.
Humanamente distinguiu-se pela simplicidade, espontaneidade e afabilidade cativantes. Estas características nobres, associadas à altíssima bagagem cultural permitiram que se relacionasse com grandes personalidades da literatura e intelectualidade, como José Régio, de quem foi bom amigo, Júlio Pomar, Ramalho Eanes e Vitorino Nemésio.
O seu nome vem mencionado algumas vezes no Dicionário de Literatura – direcção de Jacinto Prado Coelho – e no Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB).
Colaborador do jornal “O Renovador”, nos seus artigos realça a paisagem bucólica e as personalidades típicas e pitorescas da terra em que viveu a sua infância a que chamou “Aguarelas”.

Via-Sacra

Fragas do Rabadão

 
Fragas do Rabadao 4Este miradouro inclui uma via-sacra, um pequeno santuário e uma plataforma de onde se pode apreciar a paisagem agreste que desce para um braço da albufeira do Castelo do Bode. Num plano inferior e à flor da água, existe uma curiosa gravura, a Bicha Pintada, cuja origem se perde no tempo.

 

Via-sacra Zevão-Seada

 
Foto via-sacra 2De acordo com o preceito da autarquia em manter as tradições locais e eventuais infra-estruturas que a elas dizem respeito, foi levada a efeito a recuperação da via-sacra de Zevão-Seada. O local, de devoção e oração, foi mandado construir pelo senhor Manuel Alves Gaspar em 1966 como forma de homenagear a sua esposa, Sofia de Jesus Mendes, falecida em 1941 na Seada. Na envolvente existe uma pequena capela, apelidada de “Casa de N.ª Sr.ª do Rosário de Fátima”, contendo no seu interior um painel de azulejos com a imagem de N.ª Sr.ª de Fátima e dos três Pastorinhos.
 
A requalificação visa a exaltação do Património Cultural Local, desde sempre em estreita ligação com as crenças religiosas, tendo-se traduzido em novas pinturas, deslocação de uma das estações no sentido de a aproximar mais de todo o percurso e limpeza do estradão florestal que acompanha grande parte da via-sacra. 

Igrejas

Antiga Igreja Matriz

AntigaIgrejaMatriz2(Igreja de Santa Maria)
 

 

A antiga Igreja Matriz de Vila de Rei, também conhecida como Igreja de Santa Maria, terá provavelmente sido construída durante os tempos da Rainha Santa Isabel, nos séculos XIII e XIV, sendo mais alta e artística do que actualmente.
 
No Outono de 1807 foi profanada pelos soldados de Napoleão durante as Invasões Francesas. Para além de diversos vandalismos, foi também transformada em cavalariça e, por fim, incendiada. A sua restauração teve de ser feita de forma rápida, pois Vila de Rei não possuía outra igreja com capacidade para assegurar todas as necessidades de freguesia. Assim sendo, os altares, que outrora seriam de talha dourada, ficaram mais simples e o tecto assente apenas nas colunas que ainda hoje lá se encontram, ficando muito mais baixa do que anteriormente.
 
No ano de 1899 foram feitas obras na igreja, datando de então a actual porta principal. Vinte anos mais tarde foram reparados os altares. As últimas obras de restauro, que incluíram a mudança do telhado, limpezas interiores e exteriores e pintura, foram realizadas em 1992, dando à igreja o aspecto que hoje lhe conhecemos.
 
Tem ainda cinco altares: o altar-mor dedicado à Padroeira da freguesia, Nossa Senhora da Conceição; os altares de Nossa Senhora do Rosário e das Almas, do lado da Epístola; o altar do Coração de Jesus e o altar de uma Capelinha acrescentada ao corpo da igreja, capela que o seu fundador dedicara a Santo Aleixo, que depois passou a ser Capela do Santíssimo Sacramento, estando nos dias de hoje dedicada a Nossa Senhora de Fátima. Para além das imagens referidas, a antiga Igreja Matriz possui ainda as imagens do Senhor dos Passos e do Senhor Morto, e as pequenas imagens de S. José e Santa Inês, na capela-mor ao alto da Padroeira, e de B. Nuno e Santa Teresinha, ao lado do Grande Crucifixo do Altar das Almas.
 
Todos os achados arqueológicos descobertos na zona da antiga Igreja Matriz e o valor que a infra-estrutura encerra em si tornam-na como monumento de grande importância histórica e patrimonial para o concelho de Vila de Rei.
 

Igreja da Misericórdia/Capela de São Sebastião

 
Igreja da Misericórdia 1A Igreja da Misericórdia localiza-se no Largo de mesmo nome, no núcleo urbano mais antigo da sede do concelho de Vila de Rei. É à volta deste local de culto que se julga ter desenvolvido o primeiro aglomerado populacional e paróquia da então Portela de São Sebastião.
A então Capela de São Sebastião sofreu ao longo dos tempos algumas reparações e pelo menos uma ampliação. Durante as invasões francesas, época em que foi vandalizada a Igreja Matriz, esteve esta capela a servir novamente a paróquia, passando a designar – se de CAPELA DA MISERICÓRDIA, por ser pertença daquela Irmandade cuja fundação data já do ano 1581. No altar-mor colocou-se um painel representando a Visitação de Nossa Senhora e a imagem de S. Sebastião passou a ocupar o altar lateral do lado do Evangelho. O pintor das telas e do tecto foi António José Neves Sousa e Mota que nasceu em Coimbra, casou e viveu em Vila de Rei.
Em muito bom estado de conservação, é utilizada nas cerimónias da Semana Santa. Não é conhecida a data da sua construção, talvez devido ao facto de terem ardido os arquivos da Irmandade da Misericórdia na casa do Provedor cerca do ano de 1916.
Composta por nave, capela-mor mais estreita e torre sineira. Volumes articulados de disposição na horizontal com cobertura em telhado de 2 águas em telha lusa, exceptuando a torre sineira de disposição na vertical com cobertura em cúpula. Fachadas rebocadas e pintadas a branco com cunhais e embasamento pintado a azul. Registo de azulejos, datados de 1940. Cunhais coroados por pináculos e cobertura em cúpula.
O interior é composto por nave única, coro-alto em madeira e com acesso por escada do mesmo material. Piso em lajeado de ardósia, tendo, ao centro na nave, lápide tumular. Tecto de caixotões, tendo representado, no central, a Virgem da Misericórdia e nos demais, cartelas com acantos e enrolamentos, envolvendo atributos marianos. Nave iluminada directamente por óculo e janela na parede. Arco triunfal com lintel em arco perfeito com impostas salientes, pedra de fecho decorada com o escudo de Portugal e pinturas em todo o perfil do arco. Arco triunfal ladeado por 2 altares em madeira. Capela-mor com piso em lajeado de granito, friso em azulejos, tecto em caixotões, representando uma alegoria à Igreja e o tetramorfo (os quatro Evangelistas). Retábulo em talha dourada. A partir da capela-mor, tem-se acesso à sacristia e à torre sineira.
Para visitas deve-se contactar a Secretaria da Santa Casa da Misericórdia de Vila de Rei.
 

Igreja Paroquial – Fundada

 
Igreja Paroquial Fundada 1Começou por ser a Capela de Santa Margarida – uma das capelas da freguesia de Vila de Rei até princípios do século XVII. Criada a freguesia da Fundada em 1618, passou a capela a igreja paroquial, ficando a sua Titular também Padroeira da nova freguesia. Bem depressa deve ter sido ampliada e, por tempos, demolida, para ser reconstruída com as dimensões convenientes à nova situação. Ficou então com os três altares que tinha em 1758. A igreja actual foi construída no terceiro quartel do século passado (1867) sob a direcção de um senhor Ladeiras, de Cernache do Bonjardim, tendo executado a obra da talha o entalhador Manuel Teixeira, da freguesia da Cumieira, concelho de Penela.
 
Desde então tem cinco altares. Por iniciativa dos últimos párocos e generoso auxilio dos fiéis, têm-se ali feito, ultimamente, notáveis trabalhos de reparação e aperfeiçoamento. Tem ainda cinco altares dedicados, respectivamente, a Santa Margarida (Titular), ao Sagrado Coração de Jesus, ao Senhor das Misericórdias, a Nossa Senhora dos Remédios e a Nossa Senhora de Fátima (Félix, 1968:324-325).
 

Igreja Paroquial – S. João do Peso

 
 
Igreja Paroquial SJP 5Também esta igreja começou por ser uma capela – Capela de S. João Baptista – da Freguesia de Vila de Rei. Segundo a tradição oral, a primeira capela foi construída no alto de um pequeno monte situado na margem do Bostelim, entre as povoações de Várzeas e Algar. O lugar ficou por muito tempo a chamar-se «Monte de S. João»; mas à Capela, que desapareceu, sucedeu outra, decerto, melhor, junto da povoação mais central – o Peso – que, por isso, viria, mais tarde, a chamar-se S. João do Peso.
 
Criada a freguesia do Peso na primeira metade do século XVII, converteu-se esta capela em igreja paroquial, passando o seu Titular a ser também Padroeiro da nova freguesia. A primeira capela deve ter sido muitas vezes reparada e, decerto, ampliada. A igreja actual remonta aos fins do século passado, tendo começado a construir-se em 1892 sob o impulso e orientação de P.e José Adriano de Oliveira Brás. Como a freguesia é pequenina e, nesses tempos, era mais pobre que na actualidade, os trabalhos prolongaram-se por muito tempo, e, apesar da boa vontade e sacrifícios de toda a gente, a obra não pode ficar tão perfeita como convinha. 
(…) 
Tem a Igreja cinco altares: de S. João Baptista (altar-mor), do Sagrado Coração de Jesus, do Imaculado Coração de Maria, de Santa Teresinha e das Almas. Além das Imagens dos Titulares dos altares, há ainda Imagens do Espírito Santo, Nossa Senhora do Rosário, de Lourdes e da Conceição, S. José, S. Pedro, S. Sebastião, Santo António, S. João de Deus e um quadro da Ceia (Félix, 1968:327-328).  
  

Nova Igreja Matriz

 
Igreja Matriz 1A planta do Nova Igreja Matriz foi traçada por António Lino, de Lisboa, o famoso arquitecto do Santuário de Nossa Senhora de Fátima e do Monumento de Cristo Rei. Aguardada há anos, a sua construção data de 19 de Maio de 1968, aquando da sua inauguração. Depois de cerca de sete anos de obras nasceu finalmente a Nova Igreja Matriz, à muito esperada e aclamada pelo povo vilarregense, devido ao estado de degradação e pobreza do templo a que este veio suceder.
 
No corpo da Igreja temos, de um lado, a Via-Sacra e, do outro, as Imagens que vieram da velha Igreja Matriz: N.ª Sr.ª da Conceição, Titular da Igreja e Padroeira da freguesia, Nossa Senhora do Rosário e Sagrado Coração de Jesus. Nas grandes janelas do corpo da Igreja, colocaram-se lindos vitrais que representam: Nossa Senhora da Conceição, Titular da nova igreja (como fora da antiga Matriz) e Padroeira da freguesia; esta naturalmente na grande janela da fachada. Nas janelas laterais: Nossa Senhora de Fátima – alusão ao Cinquentenário das Aparições da Cova da Iria; S. Pedro e S. Paulo – recordando o «Ano da Fé» comemorativo do XIX Centenário do martírio dos dois grandes Apóstolos; o Patriarca S. José, Esposo virginal da Mãe de Deus, Pai virginal de N. S. Jesus Cristo e Padroeiro da Santa Igreja; Rainha Santa Isabel, Fundadora (com seu marido) e muito venerada Protectora do Concelho de Vila de Rei; Santo António, grande santo português e de muita devoção do nosso povo; S. Sebastião, glorioso Mártir, a quem foi dedicado o primeiro templo de Vila de Rei (Félix, 1968:297).
 

Capelas

Capela de Nossa Senhora de Lourdes – Abrunheiro Grande

Nossa Senhora de Lourdes1Freguesia da Fundada

 

Quase no fim do século passado, sob a viva impressão das recentes Aparições de Lourdes, construiu-se no Abrunheiro Grande uma Capela dedicada a Nossa Senhora de Lourdes. Lançou a ideia e animou a sua realização o P.e Sebastião Aparício da Silva, grande missionário do Extremo Oriente, que ali nascera e então ali se encontrava por ocasião de uma viagem à metrópole.
 
Lançou-se a Primeira Pedra a 17 de Outubro de 1893. Dirigiu os trabalhos o mestre de obras José Ladeiras e fez o altar o entalhador Francisco José Teixeira, respectivamente filhos dos que haviam feito idênticos trabalhos na igreja da Fundada. É Capela bastante grande, embora sem notável valor artístico.
 
Celebram-se ali, anualmente, as festas de S. Marcos, que lá tem também uma Imagem, e de Nossa Senhora de Lourdes, que é Titular daquele santuário mariano (Félix, 1968:326).
 

Capela de S. João Baptista – Vilar do Ruivo

SÃo Joao BaptistaFreguesia da Fundada
 
Começou por ser um pequeno oratório mandado construir, no século XVIII, no Vilar do Ruivo, pelo P.e João Nunes Leitão natural daquele lugar.
 
Dedicado a S. João Baptista, foi, mais tarde, ampliado pela gente da povoação. Tem sido reparado várias vezes, mas ficou sempre capela pequena e de aspecto muito modesto (Félix, 1968:326).
 

Capela de N. S.ª do Rosário - Cabeça do Poço

Nossa senhora do RosarioFreguesia da Fundada

 

 

Capela do Bom Jesus dos Milagres - Ribeira

Bom Jesus dos Milagres 1Freguesia da Fundada

 

Capela de Nossa Senhora da Guia

Nossa Senhora da Guia 4Freguesia de Vila de Rei
 

 

Talvez por não satisfazerem já a certas aspirações bairristas as tradicionais romarias de Nossa Senhora do Pranto e de S. Sebastião, decidiu um grupo de vilarregenses promover a celebração anual de uma festa mariana que atraísse a Vila de Rei toda a gente da região e muitos forasteiros de outras terras.
 (…)
 
Como, porém, esta Capela era pequena e ameaçava ruína, resolveram demoli-la e construir nova Capela mais ampla e dedicá-la à Senhora da Guia, ficando ali um dos altares reservado a Santo António. Os trabalhos só começaram em 1897. O douramento dos altares terminou dez anos mais tarde. Mas a Capela considerou-se pronta em 1902. A 5 de Setembro de 1903, procedeu à sua bênção o Ven.º Bispo da Diocese, D. Gaudêncio José Pereira, inaugurando-a, seguidamente, com a celebração da Santa Missa e a administração da Confirmação a grande número de fiéis.
 
(…)
 
Tem três altares esta ampla Capela: o altar-mor, dedicado a Nossa Senhora da Guia; o altar lateral da esquerda, consagrado a Santo António; o outro altar lateral veio a ser o da Rainha Santa Isabel (Félix, 1968:317-318).
 

Capela da Quinta das Laranjeiras

quinta das laranjeiras 2Freguesia de Vila de Rei

 

Capela da Zaboeira

capela zaboeira 1Freguesia de Vila de Rei

 

Capela de Nossa Senhora da Graça – Milreu

Freguesia de Vila de Rei
 

 

A devoção a Nossa Senhora sob o título de «Senhora da Graça» – «Mater divinae gratiae» – ascende, em Portugal, pelo menos aos meados do século XIV. Resultante, ao que parece, de um facto extraordinário, não tardou a chegar também à freguesia de Vila de Rei. E a devoção à Senhora da Graça intensificou-se de tal maneira que houve até quem tentasse que a Mãe Celeste passasse a ser, com este título, a Padroeira da freguesia. Foi mais eficaz a ideia de erguer e dedicar uma noca Capela a Nossa Senhora da Graça; e coube essa graça à povoação do Milreu – a maior povoação da freguesia de Vila de Rei (Félix, 1968:313-314).

 

Capela de Nossa Senhora da Saúde - Lavadouro

nossa senhora da saude 2Freguesia de Vila de Rei

 

Capela da Nossa Senhora das Dores

nossa senhora das dores 2Freguesia de Vila de Rei

 

Construiu-se esta Capela, a cerca de 12 quilómetros de Vila de Rei, junto do casal da Borda da Ribeira da Louriceira, a expensas e para utilidade das povoações mais próximas, de uma e outra margem da ribeira. Começaram os trabalhos no tempo do Pároco P.e Francisco Correia Ventura; e veio a ser benzida e inaugurada, no último Domingo de Outubro de 1921, pelo P.e José Martins Rolo, pregando na Festa o P.e Pedro Lourenço Viana, Pároco e Arcipreste de Vila de Rei.

 
Em 1956 ampliou-se esta Capela, alongando-o mais 205 m e fazendo-lhe um coro. Em 1964, melhorou-se ainda mais, substituindo o primitivo altar de madeira por outro de cantaria (de Tomar), alteando-lhe as paredes e cobrindo-a com um novo telhado Marselha (Félix, 1968:320).
 

Capela de Nossa Senhora de Fátima – Melriça

nossa senhora de fatima 1Freguesia de Vila de Rei
 
Após a Ordenação do Rev. P.e João Gaspar e Silva, em 27 de Julho de 1924, tomou seu pai, António Gaspar e Silva, a iniciativa da construção de uma capela na sua terra natal, a pequena povoação da Melriça, situada numa das pregas da Serra do mesmo nome a cerca de 5 quilómetros de Vila de Rei. O pequeno santuário considerou-se pronto em 1927, vindo a ser benzido e inaugurado, em Dezembro desse ano, pelo então Pároco e Arcipreste de Vila de Rei, Rev. P.e Rafael Jacinto.
 
Servindo poucas vezes depois de 1936, dentro em pouco se deteriorou toda a madeira do soalho, do tecto e do altar. Foi restaurada em 1961: altar e pavimento em cimento e novo telhado com telha marselha e vigamento de eucalipto (Félix, 1968:320).
 

Capela de Nossa Senhora de Fátima –Seada

nossa senhora de fatima 1Freguesia de Vila de Rei

 

Capela de Nossa Senhora do Pranto

Nossa Senhora do Pranto 1Freguesia de Vila de Rei

 

A Oriente e a cerca de meio quilómetro de Vila de Rei e mais perto ainda do Vale de Grou, banqueja a Capela de Nossa Senhora do Pranto no cume de uma graciosa colina revestida de pinheiros vulgares e coroada de pinheiros mansos – as famosas pinheiras de Nossa Senhora do Pranto. Harmonizam-se admiravelmente o local e a titular da Capela, porque um e outra nos lembram o Calvário…

Segundo uma antiga tradição, aquelas pinheiras teriam sido semeadas por dois religiosos que ali viveram. Mas é provável que devam a existência ao famoso farmacêutico Francisco José de Moura, conceituado vilarregense do século passado, a quem se devem os «bancos murados» que contornam o adro da Capela.
 
O pequeno santuário é muito antigo e foi já ampliado e muitas vezes reparado.
 
(…)
 
Julgamos que a devoção à Senhora do Pranto no nossa freguesia se deve, pelo menos em boa parte, ao culto prestado à Santíssima Virgem Maria, que, sob a mesma invocação, é titular da igreja e Padroeira da freguesia de Dornes, vizinha terra histórica outrora muito relacionada com Vila de Rei.
 
Como lá, também entre nós o dia tradicional da Festa de Nossa Senhora do Pranto é o dia 15 de Agosto.
 
Até princípios deste século, as festas de S. Sebastião e de Nossa Senhora do Pranto eram as festas mais solenes anualmente celebradas em Vila de Rei. Presentemente estão muito simplificadas devido talvez ao espavento com que começou a celebrar-se, em 1903, a nova festa de Nossa Senhora da Guia (Félix, 1968:315-316).
 

Capela de São José - Boafarinha

Boafarinha 1Freguesia de Vila de Rei

 

Capela de S. Marcos – Ribeiros

Ribeiros1Freguesia de Vila de Rei
 

 

Na zona oriental da freguesia, na aldeia dos Ribeiros, em 1962 foi inaugurada a Capela de S. Marcos. Ficou a cerca de meio quilómetro da povoação dos Ribeiros, numa colina revestida de pinhais. Como, apesar das reparações que, decerto, se fizeram por vezes através dos séculos, a Capela se encontrava ultimamente em mau estado, e, por outro lado, não era agradável a viagem a fazer para chegar àquele santuário, resolveram fazer, e fizeram, realmente, uma nova Capela de S. Marcos dentro da povoação dos Ribeiros.
 
(…)
 
A 29 de Julho de 1962, benzeu-a e inaugurou-a solenemente o Exmo. e Reverendíssimo Senhor D. Agostinho Lopes de Moura, Ven.º Bispo da nossa Diocese (Félix, 1968:314-315).

 

 

Capela de S. Sebastião – Vale da Urra

Sao Sebastiao 1Freguesia de Vila de Rei

 

Até meados do século corrente não houve, na freguesia do Peso, nenhum santuário além da igreja paroquial. Construiu-se então uma capela pequenina no Vale da Urra Fundeiro, povoação que só em 1924 passara, com mais três povoações vizinhas, da freguesia de Vila de Rei para a de S. João do Peso. A ideia desta Capela foi de D. Mateus de Oliveira Xavier, Patriarca das Índias, e de seu irmão, Monsenhor Sebastião de Oliveira Xavier, que deixou a importância bastante para construir a capelinha dedicada a S. Sebastião. Desejou-se, assim, assinalar a terra da naturalidade da «Família Xavier» (Félix, 1968:328).

 

Capela de Santo António - Cabecinha

Cabecinha 2Freguesia de Vila de Rei

 

Capela de S. Martinho

Freguesia de Vila de Rei

 

Devido talvez à influência dos bispos franceses que pastorearam as nossas dioceses nos primeiros tempos da nacionalidade, floresceu sempre em Portugal a devoção a S. Martinho. Vila de Rei, centro do país, tinha de marcar também a devoção ao Santo Bispo de Tours. Daí a ideia da Capela de S. Martinho. É bastante antiga. Atribui-se a sua fundação a uma senhora do Vilar, nos fins do século XVII ou princípios do seguinte. Está situada junto do Vilar a três ou quatro quilómetros de Vila de Rei. (…)

 
Não tem grande valor artístico; mas é das maiores da freguesia, servindo a população de cerca de duas dezenas de povoações (Félix, 1968:312).
 

Capela do «Menino Deus» - Trutas

 
Menino Jesus Trutas 2Freguesia de Vila de Rei

 

Também na zona oeste da freguesia, mas mais perto do rio Zêzere, existe a pequenina «Capela do Menino Deus» no meio do casal das Trutas, uma das maiores e mais antigas povoações do termo de Vila de Rei. Deve ser dos mais velhinhos santuários da freguesia. Continuando a ser pequena, tem, no entanto, sido reparada várias vezes (Félix, 1968:312-313).
 

Capela do Aivado

Aivado 1Freguesia de Vila de Rei

 

 Capela do Cristo Rei – Relva

Cristo Rei 3Freguesia de Vila de Rei

 

 
A cerca de dois quilómetros da Melriça e já no fundo da Serra, está situada a povoação da Relva, onde, por volta de 1930, surgiu a ideia de construção de uma Capela. Os trabalhos começaram em 1932 e continuaram nos anos seguintes. A cerimónia de inauguração realizou-se a 28 de Julho de 1936, presidindo ao acto da Bênção, em nome do Prelado Diocesano, Mons. Sebastião de Oliveira Xavier (…).
 
É capela de pequenas dimensões. Embora de aspecto agradável, não é decerto, monumento muito artístico (Félix, 1968:321).

 

Capela dos Borreiros

Borreiros 1Freguesia de Vila de Rei

 

Capela dos Estevais

estevais 6Freguesia de Vila de Rei

 

Capela Lagoa e Monte Novo


Capela lagoa3
Freguesia da Fundada

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